quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Estão os deuses enfurecidos

                   
 
Andam os demónios à solta!

Os deuses se revoltaram!

Na tragédia da revolta

enfurecidos estavam!

 
Ficaram enfurecidos

porque os demónios na Terra

andam de Deus esquecidos…

Jamais visto, assim nunca era…

 
Quando o andor da igreja a sair

parte e fere tantos crentes,

é difícil resistir

co'a desgraça destas gentes…
 
 

Também, num outro lugar,

à saída da procissão,

logo a festa vai parar;

a morte tomba no chão…

 
Eu vi uma árvore cintada

porque o demónio a marcou

e foi por isto cintada;

tanta gente vitimou…
 

 Uma árvore centenária

cai sobre um montão de gente…

Tragédia não imaginária…

Os deuses, infelizmente…

 
Nunca a fúria cega vê

e até Deus ou natureza

atinge aquele que crê

deixando tanta tristeza…

               «»

                  Zélia Chamusca

                          2017-08-15

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Até as vitimas calam


 
                 
 

Prometem mundos e fundos

para a boca lhes calar…

Não liguem a vagabundos…

Noutro mundo irão ficar?

 

Prometem-lhes o paraíso,

pensamento positivo…

Não percam, porém, o ciso,

tenham o cérebro ativo!

 

Comportamento anormal

e comum nos indefesos

convencidos: não há mal…

Saímos todos ilesos…

 

Vamos ser bem compensados…

Este negócio é que dá…

Não se importem… Preocupados?

O céu vai ser, aqui, e já!

 

Assim a boca lhes calam

na pureza destas gentes,

 que até as lágrimas lhes secam;

Vão sorrindo de contentes!

 

Pobres dos que já partiram;

Não puderam cá ficar…

Para sempre eles sumiram;

Deles não se irão lembrar!

               «»
                         Zélia Chamusca

sábado, 12 de agosto de 2017

O bicho mais feroz


         


 
 
 
 
 
Está a Terra tão empestada

com o bicho mais feroz

que não serve para nada,

grotesco, brutal, algoz!

 

Bicho grande que caminha

em pé nas patas traseiras,

engana como a doninha,

e incendeia com as dianteiras.

 

Destrói o sistema ecológico,

destrói tudo, toda a Terra!

É um ser terrível, diabólico,

o mais brutal da nossa era!

 

Tudo destrói, nada resta!

Já matou a fantasia

destruindo a floresta!

Matou também a poesia!

 

Do que dela, apenas resta

é a forma destes meus versos

denunciando a ação funesta

em gritos fortes imersos!

              «»

                       Zélia Chamusca

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

A máscara vai cair


 
 

Há uma máscara que teme;

tão fragilizada está

e o suporte até já treme

pelo estado dela já.

 

Só não entendo o calado

dela e dos outros também.

Na fragilidade está

p’lo receio que nela tem.

 

Está já prestes a cair

e chegará breve o dia

em que os entrudos vão sair,

de repente, por magia!

 

Pois, condenados serão

com a pena capital

e aos infernos descerão

por fazerem tanto mal!

             «»
                     Zélia Chamusca

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Está a natureza triste e a chorar


 
          

        

 
Uma nuvem de fumo cobre a luz do Sol

e a sua luz brilhante, apenas, espreita

procurando a cor rubra de arrebol

na cama de cinzas onde se deita.

 

E o lusco-fusco da atmosfera poluída,

que a terra cobre deixando-a às escuras,

se espalha no céu já triste e sem vida,

sem cor e sem luz, subindo às alturas…

 

Temendo a fúria humana não aplacar

e pelo que de tanto já foi ardido

está a natureza triste e a chorar…

 

Este verão triste, de negro vestido,

é o resultado de mentes impuras

 que, ainda, impunes elas terão sido!
                                                          «»

                                Zélia Chamusca

domingo, 30 de julho de 2017

O crime que todos calam


 

É crime maior e fatal,

Que persiste em arrasar

Tudo, pelo que eles ganham…

Tão destruidor e brutal…

Não dá para imaginar

O crime que todos calam…

 

Cala o governo e a assembleia

E o povo eles adormecem

Não falando com clareza,

Lançando ideia e mais ideia,

Sem pensar no que merecem

Animais e natureza.

 

Bem fechado e sigiloso

E à nossa volta evidente,

Surge na noite calada

Tão hediondo e tão monstruoso

Na dor grande que se sente

E ninguém dele diz nada…

 

Toda a criação em cinzas jaz.

Por toda esta destruição
 
Está Deus triste, a chorar

P'lo que o ser humano faz

Desviando-se da missão:
                                                 Na criação participar.

                   «»
Poema de - Zélia Chamusca

domingo, 23 de julho de 2017

A teia da maldição


 


 
Movimenta-se na teia

uma aranha resistente

à chama que incendeia

prosseguindo sempre em frente.

 

Passa por vales e montes

destruindo a natureza,

bebe água dos rios e fontes

e a aranha tece em beleza,

 

em laboração intensa

levada p’la ambição,

faz uma teia tão densa

tecida p’la maldição.

 

É como prisão que atrai

todo o inseto miserável

que sempre vai cair sobre ela

numa  ação abominável!

 

Já são tantos os insetos

neste labirinto presos,

triangulo em que os catetos

os sustentam bem defesos.

 

Está a teia bem protegida

em que a força da ambição

destrói natureza e vida.

A teia é chamada – maldição!

                      «»
Poema de - Zélia Chamusca